Joás Araújo Silva
Não há (marcos) limites para expressar-se poeticamente...
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Textos
DILEMA.
Dilema
Autor: Joás Araújo Silva



Parte I

     Passo a noite em claro, entregue à contemplação da lua que avança solitária pela madrugada silenciosa. As horas escoam-se lentamente, enquanto fixo o olhar naquilo que me evoca a face da mulher que é a única dona de minha paixão. Vendo-a tão distante e, paradoxalmente, sentindo-a aqui, bem ao meu lado, consumo-me de uma saudade atroz neste rigoroso frio de lua cheia.

     Permaneço do lado de cá, enxergando o brilho dos teus olhos refletido na lua de novembro. Amei-te no ontem, amo-te no agora e estarei eternamente à espera do teu regresso. Meus braços anseiam pelo teu abraço, jurando a si mesmos que, quando aqui estiveres, junto ao meu coração, não haverá pressa alguma para te deixar partir.



Parte II

— Viverei pouquíssimo tempo se não voltares logo... — desabafo, em um sussurro solitário que a noite absorve.

     Diante do meu pranto e da minha angústia, meu irmão e um amigo dileto da família tentam consolar-me, ponderando com a frieza de quem observa de fora:
— Araújo, viva a sua vida e deixe as coisas acontecerem. A existência é efêmera, passa num sopro, e talvez não tornes a viver o sublime prazer de amar outra mulher com tal intensidade.

Contudo, retruco-lhes com a alma ferida:
— É demasiado fácil para os senhores julgarem-me assim. Não estais vós na minha pele, tampouco sentis o que o meu coração padece neste doloroso e eterno instante chamado "agora".



Parte III

     Contudo, a vida, em sua sabedoria misteriosa, há de continuar. Entrevejo no horizonte a previsão de dias longos, de uma distância temporária que talvez precise ser vencida, mas carregada com a certeza inabalável da espera. Sei que, mais cedo ou mais tarde, cruzarás de volta o caminho de casa para pousar em definitivo aqui, onde o meu peito te aguarda. E, quando esse dia chegar, a saudade cessará, dando lugar à eternidade de um amor que nem o tempo, nem a distância, jamais conseguirão apagar.

Fim...


OBSERVAÇÃO:
     O conto "Dilema" revela-se de uma densidade emocional tocante, destacando-se pela crueza e sinceridade com que retrata a dor da ausência e a incompreensão alheia. O conto "Dilema" enquadra-se no gênero narrativo dramático e lírico (frequentemente associado à prosa poética e ao drama psicológico).
Joas Araújo Silva
Enviado por Joas Araújo Silva em 14/09/2026
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Araújo Pseudônimo de Poeta (Dramaturgo/Cordelista/ Crônista), compositor,teólogo, filósofo, taquígrafo, radialista, articulista, escritor e artista em pintura de tela.
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