Textos
O relógio que mastigava nuvens.
No bolso do peixe havia uma chave
que abria o silêncio das escadas.
As formigas rezavam de chapéu
enquanto meu chapéu rezava para ser formiga.
Comi o número sete com colher
e ele tinha gosto de terça-feira azul.
Na parede, o relógio mastigava nuvens
e cuspia horas em forma de pássaros.
Eu me despedi de mim mesmo na esquina
e ele nem me reconheceu —
estava ocupado regando um espelho.
Joas Araújo Silva
Enviado por Joas Araújo Silva em 26/09/2026
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