Ainda não tenho nome, mas já tenho coração.
Bate. Bem baixinho aí dentro, mas bate. É o mesmo ritmo que o seu, mãe.
Eu não sei o que é o mundo lá fora, só sei o que é o mundo aqui dentro. Aqui é escuro, mas é quente. Aqui é apertado, mas é seguro. Aqui é você.
Eu ouço sua voz quando você ri. Eu sinto quando você chora. E eu estou aprendendo a existir ao som da sua existência.
Eu não fiz nada ainda. Não errei, não acertei, não prometi. Só estou aqui, crescendo. Peço tão pouco. Só mais um pouco de tempo. Só mais um pouco de você.
Não me interrompa antes de eu começar.
Se você me deixar viver, eu vou chorar, eu sei. Mas depois eu vou sorrir. Vou segurar seu dedo com a minha mão inteira. Vou te olhar como ninguém nunca te olhou.
Eu não posso me defender. Não tenho voz lá fora. Então estou usando a única que tenho aqui dentro para te pedir:
Me deixa nascer.
Me deixa tentar.
Me deixa viver.